As doenças cardiovasculares, conhecidas também como cardiopatias, são disfunções do coração ou dos vasos sanguíneos. Elas são responsáveis pela morte de 17,5 milhões de pessoas no mundo por ano, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ainda de acordo com a agência, a cardiopatia é a causa de cerca de uma em cada três mortes prematuras em homens, e uma em cada cinco mulheres.

 

No Brasil, essa média anual chega a 350 mil, sendo uma morte a cada 40 segundos, duas vezes mais do que os registros de morte por câncer e seis vezes mais do que as provocadas por qualquer tipo de infecção. Na data de celebração do Dia Nacional da Conscientização da Cardiopatia Congênita,  o Hospital Estadual Materno-Infantil Dr. Jurandir do Nascimento (HMI) promove no prédio do Centro de Reabilitação de Fissuras Lábio-Palatinas (Cerfis), um mutirão de atendimentos a crianças de zero e cinco anos que aguardam na fila da Central de Regulação do Estado de Goiás. Mulheres com gestação entre a 24ª e 28ª semana com suspeita dessas anormalidades congênitas também vão passar por avaliação.

Os tipos da doença mais comuns são cardíaca, coronariana, arterial periférica, trombose venosa profunda, embolia pulmonar e a cardiopatia congênita, sendo esta última a 3ª maior causa de mortalidade neonatal no Brasil, que alcança anualmente cerca de 29 mil crianças antes do nascimento. Segundo a cardiopediatra do HMI, Mirna de Sousa, “as cardiopatias aparecem durante a fase de desenvolvimento do coração e podem ocorrer por determinações genéticas e/ou ambientais, sendo compatíveis ou não com a vida”. A cada 100 crianças nascidas no país, uma desenvolve cardiopatia congênita. Em alguns casos, ainda durante a gestação, é possível ter o diagnóstico desta deficiência por meio de exames específicos, como o de ecocardiograma. “Algumas dessas doenças já, automaticamente, não permitem o desenvolvimento do feto na gestação, ocorrendo aborto espontâneo ou óbito logo após o nascimento. Mas a maioria das cardiopatias, se detectadas precocemente com o bebê ainda no útero, garantem um tratamento efetivo logo após seu nascimento. Por isso é importante que a mãe compareça regularmente às consultas de pré-natal”, explica.

Programação - A ação promovida pelo HMI contará com a parceria da Sociedade Goiana de Pediatria e da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO). Durante todo o dia, serão realizadas 100 consultas cardiológicas e exames de ecocardiogramas em pacientes que estão na fila da Central de Regulação do Estado de Goiás que apresentam suspeita de cardiopatia ou que precisam de alguma avaliação cardiológica. Haverá também palestras abertas ao público sobre o aparelho cardiovascular e esclarecimento de dúvidas, além de avaliações e orientações odontológicas.

Cardiopediatria no HMI - Por se tratar de uma unidade pediátrica que recebe casos de média e alta complexidade, o HMI possui uma equipe especializada no tratamento clínico em doenças cardiovasculares pediátricas que são acompanhados pelo Ambulatório de Cardiopediatria. A unidade não realiza cirurgias cardiológicas, mas durante as consultas, iniciadas ainda na gestação, a criança recebe todo o acolhimento e cuidados necessários até o momento da cirurgia, que deve ser realizada em outra unidade, que seja referência em cirurgia de Cardiopediatria conveniada ao Sistema Único de Saúde (SUS). “A promoção do evento neste ano será focada na assistência prestada a esses pacientes, por isso vamos trazer todas essas atividades para o HMI, unidade especializada no cuidado de bebês prematuros, que, por consequência, têm maior chance de desenvolver cardiopatias”, enfatiza a médica Mirna de Sousa.